Monitoramento do ar: sem dados, sem manchete

Por que é importante monitorar o ar?

Monitorar a qualidade do ar é essencial, não apenas para que governos possam implementar políticas eficazes, mas também para que a sociedade tenha acesso a informações confiáveis e seja capaz de exigir mudanças.

Qual é o cenário de monitoramento do ar no Brasil?

No Brasil, porém, o monitoramento do ar apresenta grandes desafios, desde a limitada rede de estações até a transparência e qualidade dos dados disponíveis. Esse cenário prejudica tanto a construção de um diagnóstico detalhado da poluição quanto a tomada de decisões embasadas.

Desafios da rede de monitoramento no Brasil

O Monitoramento do ar na Amazônia Legal

O monitoramento da qualidade do ar na Amazônia é realizado com o uso de sensores de baixo custo e imagens de satélite.

Durante o período de seca, a qualidade do ar em diferentes locais da região — sejam fazendas, unidades de conservação, cidades ou terras indígenas — frequentemente fica muito abaixo do recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Segundo o Air Quality Life Index (AQLI), habitantes de algumas regiões da Amazônia podem perder aproximadamente três anos de vida devido à exposição à fumaça, principalmente material particulado 2.5. 

Apesar da importância ambiental da região em nível global, o monitoramento do ar ainda enfrenta várias deficiências. Entre os principais desafios estão as dificuldades logísticas e operacionais, como o deslocamento para regiões remotas, a falta de infraestrutura básica — como energia elétrica e internet — e a escassez de técnicos capacitados para a instalação e a manutenção dos equipamentos.

Para saber mais sobre a poluição e monitoramento do ar na Amazônia Legal, acesse o policy brief “Desafios e perspectivas do monitoramento da qualidade do ar na Amazônia Legal” desenvolvido pela Coalizão Respira Amazônia.

Conheça a Coalizão Respira Amazônia

Quem faz o monitoramento no Brasil?

No Brasil, o monitoramento da qualidade do ar é, principalmente, responsabilidade dos órgãos estaduais de meio ambiente, com destaque para a CETESB em São Paulo, que mantém a rede oficial mais estruturada e serve como referência nacional, além de estados como Rio de Janeiro (INEA), Espírito Santo (IEMA-ES), Minas Gerais (FEAM) e Paraná (IAT). 

A medição de poluentes críticos, especialmente o material particulado fino (MP 2.5), é escassa, presente em menos de 26% das estações. Entre as principais limitações estão a falta de recursos técnicos e financeiros para manter e ampliar as redes, o alto custo das estações automáticas e a ausência de uma coordenação nacional eficaz.

Plataforma de Qualidade do Ar do IEMA (Instituto Energia e Meio Ambiente). Para informações detalhadas sobre as estações de monitoramento no Brasil, clique aqui.

Sensores de Baixo Custo: Potencial x Limites

Vantagens:

  • Custos mais baixos permitem a instalação em regiões desassistidas.
  • A maior capilaridade gera mais dados para análise e mapeamento.

Limitações:

  • Sensores demandam calibração frequente para assegurar precisão.
  • Os dados precisam ser validados por redes tradicionais antes do uso em políticas públicas.

Como melhorar o monitoramento?

Produção nacional de equipamentos

Incentivar a fabricação de equipamentos no Brasil, garantindo a manutenção, garantia e reposição locais.

Impacto: Reduz os custos operacionais e facilita a ampliação da rede de monitoramento.

Plataforma de dados abertos

Desenvolver uma plataforma centralizada para disponibilizar informações sobre a qualidade do ar de forma acessível e confiável para a sociedade.

Impacto: Promove maior transparência e rapidez no acesso aos dados.

Redução e controle de queimadas

Adotar políticas fortes para reduzir queimadas na Amazônia.

Impacto: Melhora a qualidade do ar na região, além de mitigar danos ambientais e impactos diretos na saúde humana.

Mitigação em indústrias e mineração

Exigir planos sólidos de mitigação de impactos ambientais por parte de indústrias e projetos de mineração.

Impacto: Reduz emissões locais e protege populações diretamente afetadas por essas atividades.

Validação de sensores de baixo custo

Implementar protocolos claros para validar os dados gerados por sensores de baixo custo e assegurar maior precisão nas informações coletadas.

Impacto: Amplia a confiabilidade de tecnologias alternativas, promovendo seu uso complementar às redes tradicionais.

Parcerias entre setores

Estimular a colaboração entre órgãos públicos, universidades, empresas privadas e organizações da sociedade civil.

Impacto: Promove pesquisas sobre tecnologias de monitoramento, aperfeiçoa sensores e amplia a rede de coleta, como exemplificado pelo trabalho da Coalizão Respira Amazônia.

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