Por dentro das regras: a governança da qualidade do ar no Brasil

Quem regula a qualidade do ar no Brasil e como?

A governança da qualidade do ar no Brasil funciona em diferentes níveis, com base na Constituição, leis nacionais, resoluções nacionais, programas e regulamentações locais. Além disso, diferentes instituições atuam nessa gestão, cada uma com funções específicas e complementares. Essa divisão de responsabilidades visa garantir uma governança ambiental eficiente e adaptada às realidades locais, mantendo o equilíbrio entre diretrizes nacionais e soluções regionais.

Órgãos atuantes

CONAMA: normatização e padrões ambientais

O CONAMA (Conselho Nacional do Meio Ambiente), instituído pela Lei da Política Nacional do Meio Ambiente (1981), é um órgão representativo das diversas esferas da sociedade na área ambiental. Ele atua como um fórum de discussão e decisão sobre normas que devem ser seguidas nacionalmente.

Funções chave:

  • Definir padrões ambientais: normatiza os padrões de qualidade do ar, da água e do solo no Brasil, garantindo limites de emissões e concentrações de poluentes padronizados para todo o país;
  • Aconselhamento técnico e intersetorial: por contar com representantes de diferentes setores (governo, sociedade civil e iniciativa privada), suas resoluções são construídas de forma participativa.

IBAMA: o executor das políticas

Enquanto o CONAMA define as normas, o IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) tem como papel central executar e fazer cumprir as políticas ambientais definidas nacionalmente

As principais responsabilidades do IBAMA incluem:

  • Fiscalização ambiental: inspecionar atividades que possam gerar impactos negativos ao meio ambiente;
  • Licenciamento ambiental: emitir licenças, para empreendimentos que impactem potencialmente o meio ambiente, com critérios que asseguram um equilíbrio entre desenvolvimento e sustentabilidade;
  • Monitoramento e controle: coordenar projetos de monitoramento de poluição e degradação ambiental;
  • Promoção de educação ambiental: apoiar programas que buscam minimizar impactos ambientais e implementar tecnologias limpas.

Embora seja um órgão federal, o IBAMA trabalha em colaboração com estados e municípios para ampliar o alcance de suas ações.

Estado e Municípios

Além das diretrizes nacionais estabelecidas pelo Governo Federal e pelo CONAMA, estados e municípios desempenham um papel essencial na gestão ambiental local. Eles têm a autonomia para elaborar suas próprias regulamentações ambientais, desde que sejam mais restritivas do que as normas nacionais.

Federal

(CONAMA e IBAMA)

Principais Responsabilidades:

  • Criar leis gerais e normas nacionais para qualidade ambiental.
  • Estabelecer padrões de qualidade do ar (ex.: MP 2.5, CO2).
  • Fiscalizar o cumprimento de normas em âmbito nacional.
  • Licenciar grandes empreendimentos, como hidrelétricas ou refinarias.
  • Coordenar programas nacionais, como o PROCONVE (controle de poluentes por veículos).

Exemplos práticos:

  • CONAMA: Resolução nº 506/2024 (metas faseadas de poluentes).
  • IBAMA: Fiscalização de polos industriais e controle de queimadas ilegais.

Estadual

(Secretarias Estaduais de Meio Ambiente e Órgãos Regionais)

Principais Responsabilidades:

  • Adaptar normas nacionais às realidades locais e criar regras regionais mais restritivas.
  • Monitorar e fiscalizar indústrias e emissores locais (ex.: fábricas e usinas).
  • Gerenciar redes de monitoramento estaduais de qualidade do ar.
  • Emitir licenças ambientais para atividades de médio impacto.

Exemplos práticos:

  • CETESB (SP): Monitoramento de poluentes em São Paulo e atualização de critérios regionais.
  • INEA (RJ): Controle da poluição em refinarias e demais projetos industriais.

Municipal

(Prefeituras e Secretarias Locais de Meio Ambiente)

Principais Responsabilidades:

  • Implementar ações práticas e locais para melhorar a qualidade do ar.
  • Criar leis para a descarbonização de frotas e controle de poluição veicular.
  • Promover programas de arborização urbana e gestão de tráfego.
  • Aplicar e fiscalizar leis locais complementares às estaduais e federais.

Exemplos práticos:

  • São Paulo: Lei nº 16.802/2018 (descarbonização da frota de ônibus até 2038).
  • Curitiba: Zoneamento urbano para privilegiar transporte coletivo e redução de emissões.

Linha do tempo

Avanços na governança da qualidade do ar

Além das diretrizes nacionais estabelecidas pelo Governo Federal e pelo CONAMA, estados e municípios desempenham um papel essencial na gestão ambiental local. Eles têm a autonomia para elaborar suas próprias regulamentações ambientais, desde que sejam mais restritivas do que as normas nacionais.

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