
As emissões atmosféricas de poluentes e gases de efeito estufa têm impactado diretamente a saúde das populações em todo o mundo. Para melhor compreender como isso ocorre, veja o infográfico apresentado na cartilha “Como as mudanças climáticas impactam a nossa saúde?”, do movimento Médicos pelo Clima.
Você pode conferir o infográfico completo na página 6 da cartilha, disponível aqui.

Neste capítulo, segue-se o fluxo do infográfico:
Emissões atmosféricas: o ponto inicial
As substâncias emitidas na atmosfera incluem gases de efeito estufa e poluentes do ar. Para uma explicação detalhada sobre os tipos e fontes destas substâncias, consulte os capítulos 1 e 2 deste guia.
Essas substâncias afetam diretamente a qualidade do ar que respiramos e contribuem para o aumento da temperatura global, um fator central nas mudanças climáticas. Porém seus impactos vão além do aquecimento do planeta: eles alteram o ambiente em que vivemos de forma significativa, desencadeando uma série de eventos prejudiciais à saúde.

Alterações sistêmicas do ambiente
As emissões atmosféricas levam a mudanças significativas no meio ambiente, como:
Ar tóxico
o excesso de poluentes na atmosfera piora a qualidade do ar, especialmente em centros urbanos e regiões afetadas por queimadas;
Ondas de calor extremas
o aquecimento global aumenta a frequência e intensidade de temperaturas extremas;
Alteração do ciclo hidrológico
mudanças nos padrões de chuva, como secas prolongadas ou enchentes repentinas, já são mais frequentes;
Eventos climáticos extremos
secas, desertificação, queimadas, inundações e ciclones estão devastando regiões no Brasil e no mundo
Degelo e aumento do nível do mar
áreas costeiras enfrentam erosões e maior vulnerabilidade a fenómenos climáticos.
Essas alterações ambientais têm dois efeitos principais na saúde humana: diretos e indiretos.
Efeitos diretos na saúde humana
São os impactos imediatos e mais evidentes, causados pela exposição direta a um ambiente em deterioração. Dividem-se em dois grandes grupos:
Efeitos do ar tóxico
A exposição a poluentes atmosféricos afeta nossa saúde de inúmeras formas, especialmente em populações mais vulneráveis, como crianças, idosos, fetos e quem vive próximo a fontes de emissão. Eis os principais problemas:
- Doenças respiratórias: asma, bronquite e doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) são agravadas pelo contato direto com poluentes como MP 2,5;
- Doenças cardiovasculares: o coração e os vasos sanguíneos sofrem com a demanda extra causada pela poluição, aumentando o risco de infarto e derrames;
- Câncer de pulmão: a poluição do ar é considerada carcinogênica do grupo 1 pela Agência Internacional para Pesquisa em Câncer (IARC/OMS), o mesmo grupo do cigarro. Também há estudos a relacionando a câncer de bexiga e até ao de mama;
- Impactos neurológicos: partículas ultrafinas do ar poluído são capazes de alcançar o cérebro, contribuindo para distúrbios de atenção e autismo em crianças e aumento do risco de demência em idosos.
>>> Segundo o relatório State of Global Air 2024, a poluição do ar foi responsável por 8,1 milhões de mortes em 2021, sendo o segundo maior fator de risco de mortalidade no mundo.
Efeitos das alterações no clima
Mudanças climáticas trazem consigo fenômenos extremos, como ondas de calor, que afetam o organismo humano de forma drástica.
- Desidratação e estresse térmico: durante ondas de calor, o corpo precisa gastar mais energia para dissipá-lo, sobrecarregando órgãos como o coração e os rins;
- Doenças cardiovasculares: o calor intenso agrava as condições cardíacas preexistentes;
- Riscos aumentados de trombose: a desidratação faz o sangue se concentrar, elevando a probabilidade de formação de coágulos;
- Impactos na saúde mental: climas extremos impactam o bem-estar mental, levando à exaustão, à ansiedade e a quadros de depressão;
Traumas e mortes: a ocorrência de ferimentos, afogamentos e queimaduras é maior durante eventos climáticos extremos, como inundações e incêndios florestais.
Efeitos indiretos na saúde humana
Os efeitos indiretos aparecem como uma cascata de consequências geradas pelas alterações no ambiente. Eles não atingem a saúde de forma direta, mas criam condições que agravam problemas já existentes ou originam novos desafios para a saúde pública.
As mudanças sistêmicas do ambiente têm impacto direto em diversos contextos sociais e ambientais, como:
Migrações e conflitos:
deslocamentos forçados, gerados por secas ou enchentes, sobrecarregam sistemas de saúde e causam crises humanitárias;
Escassez de alimentos e água:
a redução de plantações devido a secas e o aumento do nível do mar comprometem a segurança alimentar e hídrica;
Degradação dos ecossistemas:
alterações na fauna e na flora provocam desequilíbrios, aumentando o contato humano com patógenos antes isolados.
Essas situações resultam em desfechos preocupantes em saúde, como:
Doenças causadas por água contaminada:
Hepatite A, leptospirose e surtos de diarreia são comuns após enchentes;
Doenças infecciosas por vetores:
dengue, malária, chikungunya e zika se intensificam com o aumento das chuvas e com altas temperaturas;
Desnutrição e insegurança alimentar:
populações vulneráveis sofrem com a redução da produção agrícola;
Doenças respiratórias e alérgicas:
queimadas liberam partículas nocivas que agravam asma, rinite e bronquite, além de potencializar alergias devido à polinização prolongada;
Impactos materno-infantis:
crianças em desenvolvimento e mulheres gestantes são especialmente afetadas, com um impacto potencial ao longo de toda a vida;
Doenças desconhecidas:
alterações climáticas aumentam o risco de contato com novos patógenos e possíveis epidemias globais.